Cálculos urinários: Confira entrevista com o urologista Dr. José Dantas que responde às dúvidas dos nossos pacientes

Qual a prevalência (número de pessoas acometidas) dos cálculos urinários?

A incidência de cálculos urinários varia de acordo com a geografia, o clima, a etnia, a ingesta hídrica diária e fatores genéticos. A prevalência é bem variável, indo de 1-20% a depender do país. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde os dados epidemiológicos são mais fidedignos, a prevalência chega a ser maior do que 10% da população, o que é uma quantidade muito alta de pessoas.

Como se da a formação dos cálculos urinários?

Os cálculos são resultados da agregação de algumas substâncias que são excretadas na urina, como por exemplo, o oxalato de cálcio e o ácido úrico.

Quais os sintomas dos cálculos urinários?

Quando os cálculos são pequenos e estão em repouso no rim, o paciente costuma não ter sintomas. Os sintomas clássicos dos cálculos urinários, ocorrem na maioria das vezes quando os cálculos se deslocam para o ureter, ocasionando a obstrução à drenagem da urina. Isso pode causar a famosa cólica renal, uma dor intermitente, de forte intensidade, que não melhora com a mudança de posição, que na maioria das vezes está associada a náuseas e vômitos.

Caso a obstrução não seja resolvida, o paciente pode evoluir com infecção urinária grave (pielonefrite), que se manifesta através de febre alta, mal estar, inapetência, podendo evoluir com sepse (infecção generalizada).

Como é feito o diagnóstico dos cálculos urinários?

Exames de urina, RX de abdômen e ultrassonografia são exames que podem contribuir para o diagnóstico inicial. Contudo, o exame padrão ouro (que fornece informações mais precisas sobre tamanho, densidade e localização dos cálculos) é a tomografia computadorizada de abdômen.

Como é feito o tratamento dos cálculos urinários?

O tratamento dos cálculos urinários depende de diversos fatores que precisam ser avaliados pelo urologista: Tamanho, densidade, localização e  provável constituição dos cálculos.

Cálculos pequenos, próximos à bexiga (na porção final do ureter, órgão que liga o rim a bexiga) costumam ser eliminados espontaneamente ou com auxílio de algumas medicações.

Cálculos maiores, muitas vezes precisam de intervenção cirúrgica. Na esmagadora maioria das vezes, o tratamento é feito de forma endoscópica (através da uretra, sem cortes), com auxílio do laser para realizar fragmentação dos cálculos. Cálculos renais pequenos podem ser tratados com ondas de choque (tratamento não cirúrgico). Já cálculos renais muito grandes, podem ser tratados por nefrolitotmia percutânea (cirurgia minimamente invasiva com corte menor de 2 cm realizado nas costas) ou ainda mais raramente através de laparoscopia ou cirurgia aberta convencional.

Existem tratamentos alternativos (não médicos), como chá de quebra pedras para tratar cálculos renais?

Os tratamentos alternativos não são recomendados. O chá de quebra pedras, só possui 1 estudo publicado na literatura médica, e foi realizado com animais, não apresentando nível de evidência científica suficiente para recomendar o seu uso em humanos, não sendo portando recomendado.

Como prevenir novas crises de dor?

A melhor forma de prevenir a crise é prevenir a formação de novos cálculos.

Existem 3 medidas que são bem aceitas na comunidade científica como eficazes para essa prevenção:

  1.  Elevar a ingesta de hídrica. O paciente deve beber em média 2,5 litros de água (sucos e chás) por dia. A melhor forma de avaliar se está bebendo uma quantidade adequada de líquidos, é avaliar a cor da urina, que deve ser bem clara, de preferência, transparente.
  2.  Diminuir a ingesta de sal. Alem de ajudar a prevenir hipertensão, a elevada ingesta de sal comprovadamente se associada a maior formação de cálculos urinários.
  3.  Evitar ingesta elevada de proteínas. Pacientes formadores de cálculos urinários, devem ter especial atenção para evitar a ingesta elevada de suplementos nutricionais ricos em proteínas.

O que fazer numa crise de cólica renal aguda?

Procurar o pronto atendimento imediatamente, e sempre que possível, solicitar a avaliação de um urologista. Com as distorções do sistema de saúde do nosso país, muitas vezes os pacientes com cólica renal são medicados com analgésicos e anti inflamatórios e enviados para casa após melhora da dor, sem uma investigação adequada do quadro. Esse tipo de conduta é extremamente perigosa, e em alguns casos pode levar o paciente a apresentar prejuízos irreversíveis ao funcionamento dos seus rins.

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